Affinity Mapping na prática: como organizar dados de pesquisa em UX Design
Você fez entrevistas, coletou notas, juntou post-its e agora tem uma mesa cheia de informações. E aí? O Affinity Mapping é o exercício que transforma esse caos em algo útil. É uma das ferramentas mais versáteis do UX Design e pode ser usado em praticamente qualquer momento do projeto.

Apparicio Junior
Head of Product Design

O que é Affinity Mapping
Affinity Mapping, ou diagrama de afinidade, é um exercício de organização de conteúdo baseado em similaridade. Você pega todos os insights, observações, citações de usuários ou qualquer tipo de dado qualitativo, coloca em post-its e começa a agrupar por temas parecidos.
Parece simples, e é. Mas é justamente essa simplicidade que faz dele tão poderoso. O exercício força você a olhar para os dados sem preconceito e deixar que os padrões apareçam naturalmente.
Quando usar o Affinity Mapping
Essa é a melhor parte: você pode usar em qualquer momento. Terminou entrevistas com usuários e precisa organizar os achados? Affinity Mapping. Está com o time debatendo prioridades e ninguém concorda? Affinity Mapping com Dot Voting. Tirou um log de problemas do produto e precisa categorizar? Affinity Mapping.
Ele funciona tanto presencialmente, com post-its na parede, quanto remotamente, usando Figma, Miro ou qualquer ferramenta de quadro colaborativo. O formato não importa tanto quanto a disciplina de agrupar por similaridade.

Como fazer na prática
Primeiro, pegue todos os dados que você coletou. Cada insight vira um post-it individual. Se um usuário disse que acha o preço caro, isso é um post-it. Se outro disse que o atendimento foi ruim, é outro post-it. Cada observação separada.
Depois, comece a agrupar. Tudo que se refere a preço vai para um grupo. Tudo que se refere a atendimento vai para outro. Tudo que envolve navegação no produto vai para um terceiro. Não crie categorias antes de começar. Deixe que os agrupamentos surjam conforme você vai movendo os post-its.
Quando os grupos estiverem formados, dê um nome para cada um. Esse nome deve representar o tema comum daquele grupo. "Frustração com preço", "problemas de navegação", "satisfação com atendimento". Pronto, você tem uma visão organizada dos seus dados.
Combinando com Dot Voting
Uma evolução natural do Affinity Mapping é o Dot Voting. Depois de agrupar os insights, cada participante recebe alguns adesivos (ou pontos) para votar nos temas que considera mais importantes ou urgentes. Isso ajuda a priorizar o que vai ser resolvido primeiro.
É um método rápido para chegar a um consenso sem discussões intermináveis. E funciona especialmente bem em workshops com múltiplos stakeholders, onde todo mundo tem opinião, mas ninguém concorda em prioridade.
Defina como vai organizar antes de começar
Você pode organizar por dores do usuário, por pontos de contato da jornada, por sentimento, por funcionalidade do produto. A escolha depende do que você quer descobrir. Se o foco é entender onde o produto falha, agrupe por ponto de contato. Se o foco é entender como o usuário se sente, agrupe por sentimento.
O importante é ter um critério claro antes de começar. Sem critério, você vai agrupar tudo com tudo e o resultado vai ser um diagrama confuso que não leva a nenhuma decisão.
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